Sempre me apontam o dedo dizendo que sou louca, malucóide, masoquista ou coisas do tipo quando defendo o parto natural. Sem intervenções, sem essa de escolher quando parir e de ficar atrapalhando o momento mais mágico da relação mãe-bebê
Eu também sempre disse que isso não era loucura (só) da minha cabeça. Que existe um bom punhado de mães, tentantes, médicas, enfermeiras, parteiras, doulas e simpatizantes (vários homens também, a saber) que compartilham das mesmas ideias que eu. Com algumas variantes, mas todo mundo pensando na mesma lógica.
A cada dia fico mais indignada e ao mesmo tempo frustrada com as notícias que tem aparecido. Hoje vi uma: Cesáreas superam partos normais (nota da autora: isso pra mim é uma redundância, pois todo parto é normal. Cesárea é uma cirurgia de extração de bebê) no Brasil.
Alguns dados:
Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda que 15% dos nascimentos sejam via cesárea, na rede privada brazuca 80% das crianças nascem por extração.
No SUS, a cirurgia teve um aumento de 24 para 37% dos nascimentos na década passada
O Brasil tem o maior índice de cesáreas do mundo!!
Em países subdesenvolvidos, onde não tem hospitais, 10% são cirúrgicos
Em países desenvolvidos, aqueles que gostam de chamar de “primeiro mundo”, 20% são cesáreas
No Brasil, 80% são extrações
Nos hospitais particulares de São Paulo a taxa chega a 90%
A verdade é que eu fiz toda essa introdução (afinal, quando começo a escrever não paro mais) pra dizer que tá ótima a matéria do Luis Nassif entitulada A lógica do parto humanizado, publicada no blog do Nassif
E baseada na mesma matéria da Folha de S. Paulo que eu me referi no início do post, a brasileira que mora nos States Cláudia Colluci escreveu sobre As inaceitáveis taxas de cesáreas no blog Quero Ser Mãe
E ainda, se não ficou convencida(o), dá uma olhada no site Amigas do Parto que lá tem um mooooonte de coisa (inclusive nos links) pra tirar todo e qualquer tipo de dúvida e pra acabar com o preconceito do parto natural.
UPDATE 1 – A Casa Angela, citada no relato do Nassif, reabriu e aguarda a firmação de convênio com o SUS. Por enquanto, atende mulheres da região gratuitamente e cobra taxas simbólicas para mulheres de fora da região
UPDATE 2 – Só pra não deixar dúvidas: A “louca” do título sou eu. E a companhia é o Luis Nassif